quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Across the Universe



Começamos com uma misteriosa cena onde a praia deserta se define como cenário. Jude nos é apresentado o som de “Girl” e de cara vemos que ele anda enamorado; porém o destino tomou rumos inesperados e o separou da tal Garota. Pra mudarmos de cena, há uma ligação não muito agradável (onde notícias de jornais são apresentadas como violentas ondas num mar enfurecido) com o fragmento da música “Helter Skeleter” cantada por uma das personagens que futuramente nos será apresentada. É triste ver a legenda em português dublando o refrão como “Mas que confusão”; quem é fã de Beatles logo se toca. É aí que surge o link pra “Hold Me Tight”, que nos mostra dois ambientes distintos: um tradicionalmente americano e outro tradicionalmente inglês. De passada vemos Jude com a namorada e Lucy com o namorado.

Apesar de nenhum dos atores (exceção do Bono) serem de fato cantores, souberam manejar as canções dando diversas leituras às mesmas.
No dia posterior, Jude parte com promessas de lealdade à namorada. É interessante a mistura do diálogo lúdico com a letra de “All My Loving”. Ele parte, assim como o primeiro amor de Lucy, que vai prestar serviço no exército. Em Ohio, surge Prudence numa delicada cena de atração. Ao som de “I Want To Hold Your Hand”, Prudence descobre seu interesse pelas mulheres e indiferença aos diversos homens que, com brutalidade, passam por ela. Boa sacada de Julie ter deixado a letra original, dando uma óbvia demonstração de desejo em “...I wanna be your man...”.

Já nos Estados Unidos, Jude encontra-se pela primeira vez com o pai, um zelador de universidade. E é justo nesse local que Jude, o simples marinheiro, faz divertidas amizades formando um grupo de cinco caras que passaram a curtir as noites ao som de “With A Little Help From My Friends”, onde Max (irmão de Lucy) nos é apresentado.
Interessante que eles fumam alguma coisa não visível, notaram? Poisé, foi proposital.
Essa música é uma super referência ao início da carreira dos Beatles, lá quando eles estouraram. Vemos que as personagens vão amadurecendo assim como foram artístico e pessoalmente os Beatles. Lucy nos contagia com sua empolgação em “It Won’t Be Long” ao back vocal de suas irmãs menores. Novamente vemos a fase juvenil, porém Julie não quer uma loirinha da classe alta alienada, Lucy mostra ter um espírito revolucionário e perspicácia em seus comentários e observações.
Impossível não se apaixonar pela jovem, Jude revela o extremo interesse num boliche, ao som muito conveniente de I’ve Just Seen A Face”. Max, o grande desleixado e repudiado pelos pais conservadores, viaja com Jude até Nova York com a promessa da famosa tríade: sexo, drogas e rock and roll.

Mais uma vez ocorrem interessantes cenas intercaladas em “Let It Be”, ao belíssimo som primeiramente de um menino negro que transborda emoção e uma esplêndida cantora negra de igreja evangélica com sua voz de canhão. Ambas cenas de pesar, velório e enterro. Aí vemos Jo Jo (referência à Jimi Hendrix) pela primeira vez, que caminha pelas ruas de NY se deparando com uma variedade exuberante de “tribos”, desde trabalhadores bem vestidos até hippies coloridos; Joe Cocker tem várias encarnações marcando a sempre notável presença em “Come Together”. Já tendo conhecimento de Sadie (referência à Janis Joplin e à música Sexy Sadie”), a cantora que hospedou Jude e Max (também Prudence), canta sensualmente “Why Don’t We Do It In The Road” num pequeno bar. Lucy está presente, resolveu ficar com o irmão e revelar a má notícia do Tio Sam que ela trazia numa carta. Bastou ela estar ali pra Jude retomar a paixão (não deixada de lado) que explodiu no boliche. É assim que Lucy, com toda a sinceridade e um misto de alegria/pesar, canta ternamente “IF I Fell”. Numa desanimada visita ao Tio Sam, Max vai se alistar no exército com a super bem feita e coreografada “I Want You (She’s So Heavy)” onde Julie tem ótimas sacadas como a cena onde os homens carregam a impetuosa estátua da liberdade. Daí partimos pra uma divergente leitura da mesma música: Prudence deseja desesperadamente Sadie e reprimida se tranca num armário. Um ótimo momento para os amigos cantarem ”Dear Prudence”, animando-a e revelando as belezas ocultadas nos horrores de cada esquina. Pulo duas músicas para seuir em frente até a interessante entrada de Bono no filme. È o lançamento de seu livro, qual ocorre numa animada e psicodélica festa ao som de “I Am The Walrus”, onde Julie revela seu potencial artístico e vemos os ideais dos anos 60 ao embarcar numa viagem maluca e muito colorida que muito recorda “The Magical Mystery Tour”, sim os hippies estão à solta.



Quem viu “Yelow Submarine” certamente vai lembrar dos seres azul e seu mundo singular. Pois mais uma vez o visitamos com “Being For The Benefit Of Mr. Kite” onde a loucura e a imaginação pairam no ar. Essa cena foi bastante criticada, mas a considero importante. Prudence agora trabalha nesse circo e está namorando uma contorcionista. Deitados na passividade térrea da grama, nossos personagens cantam a belíssima “Because”, com lindas cenas filmadas embaixo d’água, que destacam o estado espiritual em que os jovens se encontram. Interessante que a diretora sai dessas cenas mais abstratas pra cenas bem concretas como a de Max emergindo nu da água. O relacionamento de Jude e Lucy vai bem segundo a sensual e muito bem cantada/interpretada por Jim Sturgess, “Something”. Jude anda desenhando cada vez melhor e mostra ter talento, enquanto Lucy se preocupa em manifestos e protestos contra à guerra no Vietnã e etc. É muito engraçado e crível ver Jo Jo e Sadie discutindo o relacionamento no meio de “Oh! Darling”, que resulta na saída do guitarrista e uma prolífera “While My Guitar Gently Weeps”, cheia de dor e amor. Não muito bem compreendido e com certo ciúmes, Jude alavanca na carreira artística pintando o slogan de um show: um alucinante morango que encaixa perfeitamente com “Strawberry Fields Forever”, onde a loucura de Jude chega ao auge e assim também a de Julie; que delícia é assistir aquelas bombas de morango alucinógenas caindo do céu! Nosso protagonista toma coragem e vai até o trabalho de Lucy mostrar o que pensa do movimento de Paco com a divertida “Revolution”. Jude e Jo Jo acabam por compartilhar as mágoas até o amanhecer, entre tragos e suspiros infelizes.

Uma vez que Lucy foge de casa, Jude fica arrasado na belíssima “Across The Universe” e tenta alcançar a amada em “Helter Skelter”, onde Sadie canta pra uma multidão enfurecida de protestantes e policias armados. Ferido na pele e na alma, também deportado, Jude se afunda em “Hapiness Is A Warm Gun” assim como o amigo Max que já tinha voltado da guerra. “Blackbird” é um suave choro de arrependimento dado por Lucy enquanto “Hey Jude” é uma enorme dose de auto-estima e confiança dada por Max para o amigo Jude (que volta pra América). No terraço de um apartamento nova iorquino, a banda de Sadie toca “Don’t Let Me Down”, despertando o interesse dos pedestres e irritando os (já irritantes) policiais. Jude sente uma compreensível necessidade de cantar “All You Need Is Love” como um grito de amor à Lucy que o ouvindo, sobe no terraço de um prédio a frente. A partir desse momento o olhar entre os dois é avassalador, mas certa divisão talvez fique entre eles pro resto das longas ou curtas respectivas vidas. Finalizamos com um banho de psicodelia na apresentação dos créditos em “Lucy In The Sky With Diamonds”.

2 comentários:

  1. Sou fã dos Beatles e amo esse filme.
    Além de tudo, adorei a idéia do Blog.
    Sou apaixonada por bons filmes e já te sigo.
    Parabéns pelo bom gosto.

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